• Luciano Arruda

A Música e a Psicologia

Olá, tudo bem por aí?


Falar sobre música é sem dúvida falar sobre emoções, desde tempos muito remotos o ser humano aprendeu a expressar sentimentos à partir da arte, seja ela a pintura, o teatro, posteriormente o cinema, a literatura e principalmente a música.


A Psicologia surge em seu início como um ramo da filosofia, uma arte do pensar, no início dos anos 1900 passa a carregar um caráter científico com os experimentos de Wundt na Alemanha, e vem se desenvolvendo desde então como a ciência do estudo da mente e por consequência das emoções.


Com o avanço da medicina, especialmente nos estudos neuronais por imagem, as emoções passaram a ser mensuráveis, hoje por conta de novas tecnologias é possível enxergar quais partes cerebrais são acionadas por determinados estímulos emocionais, tais como a alegria, a tristeza ou a raiva.


No decorrer dos séculos a música também passa por grandes desenvolvimentos e inovações, desde seu início cantado e percussivo até a invenção de instrumentos rudimentares e o advento da teoria musical, posteriormente, as melodias passam a ser eletrificadas e são transmitidas por ondas de rádio, e mais tarde por satélite e outras tecnologias a praticamente todos os habitantes de nosso planeta.


É muito improvável você conhecer alguém que não goste de música, veja bem, aqui não falo de estilo “x ou “y”, mas sim do conjunto de notas musicais tocadas por algum instrumento ou mesmo cantadas. E tais melodias podem nos trazer diversas emoções, resgate de memórias além de relaxamento ou mesmo inspiração.


As melodias com o tempo passaram a fazer parte do aprendizado e desenvolvimento infantil, adotadas na alfabetização de crianças de diferentes culturas, a música amplia as sinapses cerebrais e contribui para o desenvolvimento cognitivo das crianças, além de ser um meio divertido de ensinar e aprender.


Em meados dos anos 1940 surge a musicoterapia, uma forma de terapia alternativa em que o uso de melodias é a ferramenta principal no tratamento de diversos distúrbios tais como a depressão, ansiedade e as fobias sociais, além de novamente ser um auxiliar no desenvolvimento de novas habilidades cognitivas.


As composições muitas vezes nos trazem boas lembranças, animam nosso dia a dia, nos fazem rir, chorar, nos tranquilizam ou mesmo podem ser irritativas e mesmo causar sensações próximas ao do uso de algumas drogas psicoativas.


Independente da cultura em que vivemos a música está presente, é a arte mais humana que pode existir, melodias podem ser simples ou extremamente complexas, intensas ou suaves, alegres ou tristes.


Onde há emoção existe a música, nas cerimônias de casamento, nos funerais, nos rituais religiosos, nas arenas esportivas onde torcedores cantam enquanto assistem aos jogos de seus times. Antes de escrever as crianças cantam, batucam e sorriem com as músicas cantadas pelos pais.


Não é necessário ser um expert em teoria para apreciar a música, ela está acessível a todos, em todas as idades, raças, gêneros ou classes sociais, a música forma amigos, casais e até mesmo parceiros comerciais.


Aliás um grande casamento entre a música e psicologia está na propaganda, ou vai dizer que você nunca comprou algo por impulso por conta de um jingle escutado em algum comercial?


A Neurociência hoje estuda as composições, busca cada vez mais entender como o encadeamento de determinadas notas e acordes musicais pode interferir em nossas emoções, em nosso desenvolvimento cognitivo.


Compositores se utilizam de tais estudos, buscando a “melodia perfeita”, seja na criação de um jingle político ou comercial ou mesmo na busca pelo sucesso radiofônico.


A Psicologia por sua vez estuda como a música pode alterar comportamentos, como é inserida em determinadas culturas e pode ajudar no tratamento psicoterapêutico.


A percepção das melodias é algo totalmente individual, uma composição pode causar comportamentos distintos em indivíduos diferentes, o gosto musical é único, assim como nossos pensamentos são, embora algumas músicas causem reações muito parecidas em diferentes indivíduos.


Você consegue por algum segundo imaginar um mundo sem músicas? Festas são embaladas por melodias, assim como nossas memórias mais afetivas carregam certamente uma trilha sonora.


A música é tão íntima da cultura que é impossível separar as duas coisas, melodias nos remetem a lugares, a pessoas, nos trazem links mentais, quer um exemplo a simples menção da palavra Tango irá trazer a sua mente imagens da Argentina, mesmo que você nunca

tenha pisado em nosso vizinho.

E o que dizer da dança? Das festas populares? Dá pra pensar em um carnaval sem música?


Fazendo novamente um link entre a música e a psicologia, pense em quantas vezes alguma canção não serviu para te alegrar? Não trouxe ânimo extra para aquela corrida ou exercício físico? Não te trouxe à mente momentos nostálgicos da infância? Está aí o casamento perfeito entre a nossa ciência da mente e nossa arte de juntar sons.


Quando precisar lembrar de algo, experimente associar isso com alguma melodia! Professores de cursinhos pré universitários e de educação infantil são experts nisso, mais uma ligação clara entre a psicologia e a música.


Tendo isso em mente não é exagero afirmar, a música foi, e continua sendo fundamental ao nosso desenvolvimento de memória, atenção, linguagem, socialização e desenvolvimento cognitivo, não fosse nossa capacidade de juntar sons e criar melodias, talvez ainda vivêssemos numa caverna.




Escrito por Luciano Arruda, Psicólogo Clínico e fundador do Fluidez Mental, trabalha com a psicologia porém é apaixonado pela música, seu contato é: luciano@fluidezmental.com.br



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