• Luciano Arruda

Fuí e os recursos humanos

Era uma quinta feira e eu estava no ponto de ônibus voltando para casa quando apareceu um homem e me pediu um favor, perguntou se eu poderia segurar o cesto de doces que ele carregava para que pudesse ser higienizado, de prontidão atendi.


Após cuidadosamente limpar o cesto ele me agradeceu com um termo que eu não conhecia, questionei o que era e ele me disse: “É obrigado em armênio”, bem intrigado perguntei onde ele havia aprendido ou se era armênio, foi então que ele me respondeu que havia aprendido com um senhor com quem trabalhou anos atrás no Bom Retiro que veio desse país, disse que desde então se interessou por aprender outros idiomas e hoje falava DOZE, disse que aprendeu com materiais encontrados em sebos da cidade.


Mais uma vez meu espanto foi grande, e meio que por brincadeira perguntei seu nome em alemão, ele me respondeu que o conheciam como Fuí, embarcamos no ônibus então que eu esperava conversando na língua de Goethe.


Indaguei se Fuí já havia alguma vez trabalhado com esse seu talento, ele disse que sempre viveu somente de bicos pois não tinha diplomas ou certificados, cabe aqui dizer também que Fuí tinha um deficiência no rosto bem aparente, que em meu pensamento também deveria ser um impeditivo para sua contratação infelizmente.


Fuí me falou que adorava estudar e aprender coisas novas, sempre que encontrava um livro legal lia de cabo a rabo, no momento estava estudando microbiologia (o que talvez explicasse o zelo para com seu cesto de doces).


Meu ponto se aproximava e pedi a ele seu telefone, eu queria muito ajudá-lo, mas ele disse que estava sem aparelho celular que fora roubado, deixei então meu cartão e pedi para que me ligasse a qualquer momento para tomarmos um café, hoje me arrependo de não ter pedido um endereço, no entanto nem pensei nisso no momento.


Fuí nunca me ligou, infelizmente, questionei alguns cobradores de ônibus mas nenhum o conhecia, deve trabalhar em outra região da cidade, se alguém conhecer fuí por favor entre em contato comigo, pois ele é um talento que deve ser reconhecido.


Se você é dono de empresa saiba que talvez seu setor de recursos humanos tenha deixado um talento como Fuí ir embora e focado em um candidato que tenha papéis e “boa aparência”, mas não o conhecimento e essa vontade de aprender, e se você for funcionário recrutador por favor não desperdice esse tipo de gente, vale lembrar que Bill Gates, Steve Jobs entre outros não tinham diploma, pense nisso...


Escrito por Luciano Arruda, Psicólogo e fundador do Fluidez Mental, seu contato é: luciano@fluidezmental.com.br

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