• Luciano Arruda

O dia em que desabei por um caso clínico

Olá tudo bem?


Geralmente nas quartas-feiras eu gosto de escrever e publicar aqui um post mais leve relacionado a uma dica cultural mas hoje será diferente, e um tanto mais desagradável.


Faz cinco anos que sou Psicólogo clínico e nesse período tive a oportunidade de atender mais de 200 pessoas diferentes (falarei disso no futuro) e isso me faz ter bastante experiência e criar uma espécie de "casca" para não desabar facilmente nos atendimentos.


Estar na clínica é escutar de tudo, é ficar comovido, revoltado, alegre, pensativo, enfim uma série de sentimentos pois cada história é única assim como são seus protagonistas.


Passei nesse tempo todo por diversas situações em que tive que manter a compostura tentando não me envolver com o caso a ponto de levá-lo para meu travesseiro, muitas vezes a tarefa foi bem complicada, mas eu vinha resistindo bem, até o dia de ontem 29/09/2020, quando eu desabei, não se preocupe falarei sobre isso melhor.


Nesses anos de atendimento convivi com histórias muito tristes, alegres, engraçadas, insólitas, comoventes e curiosas. Já fui presenteado algumas vezes, convidado para eventos, inclusive já fui até mesmo agredido e assediado, como você pode perceber acontece de tudo dentro das quatro paredes do consultório.


Vamos falar um pouco sobre o ocorrido... Por questões éticas não podemos expor casos de pacientes publicamente, e quem me conhece sabe o quanto preso por isso, no entanto para que você possa pelo menos se situar um pouco o caso envolve uma família muito desestruturada emocionalmente com problemas de diálogo e convivência, uma criança totalmente inocente e infelizmente um falecimento, me perdoem mas não posso falar nem pouco mais sobre o caso em questão.


Na faculdade e a experiência de atendimentos nos ensina e ter uma escuta neutra sem nosso envolvimento pessoal com o caso, porém isso falha em alguns momentos como esse, e você desaba, ao ponto de passar a noite em branco com essa história na cabeça, e também desabar em choro no ônibus na volta para casa.


Eu pensei em botar a culpa desse "desabamento" em algumas dificuldades que tenho passado na quarentena (assim como todo mundo), mas me acabei me lembrando de um pequeno detalhe... Nós somos humanos!!


Resolvi escrever esse texto diferente e pessoal para te lembrar disso, somos humanos e as vezes desabamos, seja você psicólogo, médico, juiz do STF, jogador de futebol, modelo, porteiro, desempregado, você é humano e jamais sinta vergonha disso!!


Me desculpe a temática pesada mas quero sugerir uma coisa para você, olhe a sua volta e veja se alguém que conhece não desabou esses dias, ofereça ajuda as vezes uma simples palavra ajuda demais, e lembre-se que por mais forte que você possa parecer um dia você desaba também!


Uma boa semana para você!


Escrito por Luciano Arruda: Psicólogo clínico e também um ser humano como você, que as vezes desaba. Seu contato é luciano@fluidezmental.com.br.




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