• Luciano Arruda

Jorginho Guinle - $ó Se Vive uma Vez

Olá tudo bem com você?


Na minha dica cultural de hoje vou falar sobre o filme “Jorginho Guinle $o se vive uma vez” que narra a história do playboy carioca Jorginho Guinle herdeiro de uma das famílias mais ricas do Brasil.


Se o seu interesse por cinema for somente a parte técnica da coisa, o enredo e as atuações é melhor passar longe dessa película, pois ele é de certa forma até meio tosco, sendo um misto de documentário com dramatização, mas como estou aqui para analisar a ligação dele com a Psicologia temos um filme muito rico nesse aspecto (não resisti aos trocadilho).


Primeiro vamos resumidamente dizer quem foi Jorge Guinle, herdeiro de uma das famílias mais poderosas do Brasil, para se ter ideia presidentes chegavam a pedir conselhos para o patriarca do império Guinle. Jorge chegou a ter um patrimônio avaliado em 100 milhões de dólares, sua família era proprietária de várias empresas como bancos, siderúrgicas e principalmente o Porto de Santos maior fonte de renda dos Guinle.


Jorge viveu uma vida de luxos e excessos, conseguindo torrar toda essa quantia acima com festas, mulheres, viagens, comida e artigos de luxo, faleceu aos 88 anos dentro de uma das suítes do Copacabana Palace (que pertenceu a sua família) enquanto morava de favor no local.


Nosso querido Playboy frequentou os melhores restaurantes do mundo, teve caso com várias mulheres famosas, incluindo segundo diz a lenda Marilyn Monroe, viajou para lugares paradisíacos sempre se hospedando nos melhores hotéis e participando da melhores festas, chegou a inclusive fazer ponta em filme de Hollywood.


Jorge tinha como lema de vida “nunca ter trabalhado na vida”, inclusive isso foi motivo de vários desentendimentos com familiares e principal motivo de sua ruína financeira.


E o que o filme tem a ver com a Psicologia?


Muita coisa, vamos começar pelo lado cultural de Guinle, diferente dessa nova geração de “ostentadores”, Jorginho era letrado, conhecedor de filosofia, admirador das Belas Artes e principalmente entusiasta do Jazz, chegando a conhecer grandes lendas do estilo, ponto positivo para nosso Playboy que era também fluente em outros idiomas.


Temos então a família Guinle, muito rica vivia numa espécie de bolha, era tremendamente influente nos governos porém totalmente alheia a sociedade a sua volta, e Jorge cometeu um erro fatal de ser dependente de seus pais, isso fica bem visível no filme.


Assistir a essa obra deixa algumas questões bem legais em aberto para serem pensadas, em primeiro lugar, por mais que você seja muito rico seu dinheiro pode sim acabar, e muitas vezes você tem pouco controle sobre, ok não é o caso de Jorge, mas fica essa reflexão, é só pensar nos muitos ganhadores de loteria de perderam tudo (qualquer dia escrevo sobre isso).


Outra questão interessante que o filme aborda é o dilema entre “curtir a vida” e “trabalhar duro para garantir um futuro”. Nosso protagonista opta pela primeira opção e vai a falência, sofre bastante no final de sua vida tendo que vender seus bens e diminuir muito o padrão, e você fica se pensando valeu a pena?


Jorge teve muitas histórias para contar, viveu intensamente e teve uma vida longa, talvez tivesse optado por trabalhar duro para manter o patrimônio tivesse morrido aos 50 anos sem fazer proveito de seus bens, ou teria tido uma aposentadoria mais tranquila sem as angústias de perder tudo, esse “talvez” intriga bastante e serve de reflexão.


No fundo a mensagem que o filme é bem ambígua por conta dessa questão, em alguns momentos você tem inveja e até raiva da vida de Jorginho, em outros momentos sente pena daquela figura, mas no fundo você não consegue ver esse filme e ficar indiferente ao seu protagonista


E aí curtir a vida e arriscar se dar mal ou trabalhar duro e arriscar não curtir a vida? Fica a reflexão!


Uma boa semana para você!


Escrito por Luciano Arruda, psicólogo e fundador do Fluidez Mental, está muito longe de ser um playboy mas após uma fase “porra louca” no início da vida adulta optou por pensar um pouco mais no futuro e curtir somente as coisas simples da vida.

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